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Comentário do poeta Benedito Bergamo, autor de 'Cadáver Crônico', a 'Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete do suicida'

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O lhando mais demoradamente entre os espaços e a ordem que espera um acontecimento na diagramação e posição de cada palavra  na página impressa, percebo que a  forma  da prosa criada  permite a poesia  que surge ou que conduz os  movimentos.  Penso isso por conta de:  “ ...O homem era só perplexidade... Outra trovejada e começa o toró... A luz apaga e acende... Mais raios e trovões... Entra água pela vidraça... O homem está vermelho, apoplético” (p.16) Uma intenção de descrição de cenas por versos  poéticos curtos ou simplesmente a  utilização  de frases curtas   para retratar um cenário por partes   numa sequência de movimento?  As  narrativas que constroem uma atmosfera poética não são atributos de todos os contos.  Outro é o  “Coração  fora do peito” (p.72/73), pois, a partir de “ Ó Deus, onde está Madalena?", segue um poema em prosa (minha leitura) até o fim. “Acima da página” p. 85 –...

Fortuna crítica: Polióptico/ Canteiro de obras/ Uma mesa de tamanho normal/ Contrata-se cronista, paga-se bem

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Resenha de Gabriel Frizzarin a 'Contrata-se cronista, paga-se bem: crônicas, contos e desenhos'

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Autor de Polióptico (poesia, Corrégo, 2019), Canteiro de obras (poesia, Versos em Cantos, 2020) e Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete do suicida (contos, Ibis Libris, 2021), Eliakim Ferreira Oliveira oferece ao público seu mais novo livro de crônicas, gênero que, como indica o prefácio de Felipe Lopes, parece não caber mais nos dias de hoje, mas que por isso mesmo atesta a pertinência do livro que temos em mãos. Contrata-se cronista, paga-se bem transforma os eventos cotidianos, aparentemente banais e sem a menor importância, em assunto literário com tom anedótico. As sessões de análise, o percurso enfadonho de uma viagem, a falta de familiaridade com os jogos de futebol e o apreço pelos hinos de clubes, uma mordida de cachorro e a presença de um senhor longevo em uma papelaria tornam-se componentes de uma narrativa que explora, sempre de maneira jocosa, os incidentes que poderiam surgir dessas experiências triviais. Além disso, Contrata-se cronista, pag...

Resenha a 'Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete do suicida', de Eliakim Ferreira Oliveira- Por Felipe Lopes

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O Leitor que conhece a obra de Eliakim Ferreira Oliveira pela poesia com certeza vai se surpreender com o seu livro de estreia em prosa: Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete de suicida (2021, Ibis Libris). Enquanto a poesia é difícil, dura e cheia de pedras, este livro de contos é um banquete, assim como sugere o título e o índice. O livro é dividido em entrada, prato principal, guarnição e sobremesa. No limite, os textos podem facilmente ser aproximados do gênero crônica, o que novamente reaviva a discussão sobre qual a diferença entre conto e crônica. Chamemos de conto porque é assim que o autor denomina no título do livro (e talvez porque a denominação do autor é a derradeira distinção). O texto compartilha com as crônicas o relato das situações cotidianas, de maneira bem-humorada e aparentemente sem pretensões muito profundas. Mas digo apenas aparentemente porque um leitor atento consegue captar elementos fundamentais da experiência humana no livro. Por...

A HISTÓRIA DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA COMO DISCIPLINA FILOSÓFICA: UMA RESENHA À NOVA TRADUÇÃO DE 'O DESENVOLVIMENTO MODERNO DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA (1890-2000)', DE CARLOS ULISES MOULINES

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  Texto originalmente publicado na Revista Páginas de Filosofia , v. 9, n. 2, p. 221-229, jul.-dez., 2020.  No segundo semestre de 2020, Cláudio Abreu trouxe ao público filosófico de língua portuguesa uma tradução de O desenvolvimento moderno da filosofia da ciência (1890-2000) (Associação Filosófica Scientiae Studia), do renomado filósofo venezuelano Carlos Ulises Moulines, conhecido por seus trabalhos em torno da reconstrução de teorias segundo a chamada "metateoria estruturalista". Moulines nasceu em Caracas, em 1946. Formou-se em filosofia pela Universidade de Barcelona em 1971 e doutorou-se em 1975, sob a orientação de Wolfgang Stegmüller, o qual substituiu, em 1993, como diretor do Instituto de Filosofia, Lógica e Teoria da Ciência da Universidade de Munique, cargo que ocupou até 2012, ano de sua aposentadoria. Em sua produção intelectual, destacam-se as Exploraciones metacientíficas (1982), livro bastante influenciado pelas contribuições de Suppes, Sneed, Stemüller e...

Resenha-poema a 'Uma mesa de tamanho normal', por Renato Gonda

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  — Quem? — Ele ali! O Eliakim.. — Ele tá escrevendo de novo, né? Aposto que tá. Ele não para! — E o que é agora? Desta vez é o quê? — Não sei. Poesia, crônica, conto. Quando souber te conto! — Ah, Eli Eli! Por que te magias e te palavras tanto? — Quem, eu? — É você aqui, Akim? Nem te reconheci assim! — É que tô disfarçado de ferreiro no meio dessas oliveiras... — Mas me conta então aquela história, conta vai? — Qual? A do messias ou a da puta? — Podem ser as duas?   (ou)   ELIeli — venhAKIM QeuJÁteLI &queroTILÊdNOVO... me(RE)contAQUEListória qJÁesqueci OUaquelaOUTRA qNEMseiSEjáouvi! OqSEI   (&issoEUseiSIM) ÉqNOfinal vaiSERumSUSTO &UMAsurpresa: JÁcabôJÁ? NUMtem+nada dBAIXOdaMESA?   _________________________________   Parabéns, Eliakim.   06.04.21

A construção poética: breve comentário ao “Canteiro de Obras” de Eliakim Ferreira Oliveira - Crítica de Felipe Lopes

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  Republicado do site da Editora Versos em Cantos:  https://versosemcantos.com/2021/04/05/resenha-do-livro-canteiro-de-obras-de-eliakim-oliveira/ O livro de poemas Canteiro de obras de Eliakim Ferreira Oliveira é uma obra para ser lida com dedicação. Ela tem um estilo denso, truncado, como já vimos na sua obra anterior, chamada Polióptico (veja o texto que escrevi sobre ele*). No “canteiro de obras”, vários elementos da sua obra anterior se repetem, mas dessa vez sob um tema diferente: o da construção poética em analogia com a construção civil. Vale citar, em primeiro lugar, o comprometimento com a concretude, substantivos e verbos, quase sem adjetivos. Em segundo lugar, de novo se faz presente um livro de poemas como um projeto de investigação. Cada um dos poemas mereceria uma análise detalhada. Eu, portanto, me limito a rabiscar alguns aspectos gerais da obra. O livro é essencialmente um metapoema, que se orienta de maneira sistemática e possui alguns termos que são caracte...

Resenha a 'Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete do suicida' - Por Viviane Carnizelo

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  Por Viviane Carnizelo*   Uma mesa de tamanho normal e outros contos do tamanho do bilhete do suicida  tem um elemento comum a todos os textos: há algo da fantasia do amor que se rompe, seja por não se realizar ou por apresentar elementos crus quando se realiza. Em todas as histórias, a magia e o encanto se vão. É que o desamor é parente próximo do bilhete suicida. Pode não ser irmão, mas é aquele primo que mora no bairro avizinhado. Rompe-se o encanto amoroso e os casais são desencontro, de modo que quando o encanto da vida se vai, ela também se desencontra de quem a tem e deixa de formar o casal. 1.        O prato principal O texto de abertura traz a relação entre morte e prazer. A relação entre ambos os conceitos segue desenhando o contorno dos textos dessa parte. O menino que quer ser cowboy, a “espada de samurai” que estilhaça a porcelana, no perder-se pela biblioteca que tanto atrai quanto mata. É a sequência de excessos e dese...

Resenha a 'Canteiro de obras', por Alexandre Shiguehara

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                Uma alegria, para mim, estar ao lado do Anderson Lucarezi, do Roberto Bicelli e do Antonio Carlos Secchin na dedicatória. Considero honrosa essa posição, ainda mais depois da releitura do livro, que sempre confirmará, a cada vez que se repetir, a expectativa alta que a sua poesia gera nos leitores, desde o surgimento do Polióptico .               Como você já sabe, o Canteiro de obras é exigente com o leitor. Ele não apenas resiste à releitura, mas a requer para que se perfaça uma recepção condizente com o rigor da concepção e da fatura. A exemplo da poesia de João Cabral, que permanece como uma referência estilística fundamental, a sua dispensa o artifício das imagens e ritmos envolventes que embalam os sentidos. É o pensamento, no fundo, a sua origem e o seu fim.             À primeira vista, o título e a estru...

Raquel Naveira, leitora de 'Canteiro de obras' e 'Polióptico'

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Por Raquel Naveira   Chegaram os livros de poemas do jovem poeta paulistano, formado em Filosofia, Eliakim Ferreira Oliveira. Canteiro de Obras (São Paulo: Versos em Cantos, 2020) é um conjunto de poemas que seguem um projeto: metapoesia utilizando palavras do universo da engenharia, da construção, da arquitetura, das ferramentas: fundação, pó, prédio, tijolo, cimento serralheiro, pintura de paredes, espátula, grafiato.... Os poemas nos remetem à música "Construção", de Chico Buarque ("Tijolo por tijolo num desenho mágico"), ao método árido do fazer poético de João Cabral de Melo Neto. O poema "Amolador de Facas" nos lembrou a Arte Poética , de Horácio, onde ele usa a imagem do amolador para explicar o trabalho da lima, do aparar palavras que sobrem na poesia. Trecho do citado poema: "Amolar, gesto lírico, Dar à faca um ritmo Que arranca o excesso, Que lhe tira, lhe rouba, Para dar-lhe caminho reto - rasgo à longitude do braço, Ao horizonte do colo,...

Resenha a 'Canteiro de obras', por Bruno Rosa

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Sim, esse livro se compõe de muitos livros, como se lê em um de seus poemas, mas não só dos muitos outros livros de poesia, dos quais ele extrai temas, motes, inspirações, se compõe a obra – literalmente, que esse autor leva a sério essa palavra. Pois o autor também é filósofo e, como filósofo, traveja seu edifício com as vigas de um método crítico cuja inspiração mais imediata poderia ser entendida como “dar um contorno bem definido às palavras”, desdobrando-se, por isso mesmo, na sua parelha correlata: “discernir-lhe com precisão os seus limites”. Talvez por aí se enverede as metáforas de eleição desse livro: limar, cortar, amolar, polir – todos verbos que, de certo modo, ao mesmo tempo que constituem uma coisa (com seu corte), demoram-se em suas arestas, em suas rebarbas, aparando-as, amolando-as, açulando seu gosto por uma delimitação bem precisa, tão precisa que às vezes sabe ao gume afiado de uma faca. Quem passear por esse Canteiro de obras não sairá, por certo, coberto pelo pó...