Polióptico Felipe Lopes Alguns poemas são como perfume, um deleite, um enfeite, um adorno. Outros são como música, com tempo marcado, a forma regular. Mas nenhum destes encontramos no Polióptico de Eliakim Ferreira Oliveira. Estes poemas não podem ser lidos sem dificuldade, como se o caminho da leitura estivesse cheio de pedras. As pedras do poema são o impedimento do seguir suave. Nelas se vê a exigência de que, a cada momento, quase a cada palavra, deva-se parar, refletir, olhar onde pisa. De vez em quando se encontra uma rima, um ritmo, mas se dá de forma tão espontânea como uma flor colorida na natureza ainda não modificada pelo humano. O estilo é comprometido com a concretude. As palavras usadas são os substantivos concretos: o olho, o osso, os óculos, o coração. Os adjetivos, quando aparecem, têm uma função apenas subsidiária. A matéria do poema é o fato, o bruto, o mi...