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Mostrando postagens com o rótulo Crítica

Capa de 'Uma história natural e cabralina: a dialética do vivente na poesia de João Cabral de Melo Neto', próximo livro de Eliakim Ferreira Oliveira, em pré-venda

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Capa de Uma história natural e cabralina: a dialética do vivente na poesia de João Cabral de Melo Neto , próximo livro de Eliakim Ferreira Oliveira, em pré-venda (R$ 35,00). Entrar em contato com o autor através do e-mail eliakim.oliveiras@gmail.com.  Uma leitura da poesia de João Cabral à luz da filosofia da natureza de Schelling. 

A construção poética: breve comentário ao “Canteiro de Obras” de Eliakim Ferreira Oliveira - Crítica de Felipe Lopes

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  Republicado do site da Editora Versos em Cantos:  https://versosemcantos.com/2021/04/05/resenha-do-livro-canteiro-de-obras-de-eliakim-oliveira/ O livro de poemas Canteiro de obras de Eliakim Ferreira Oliveira é uma obra para ser lida com dedicação. Ela tem um estilo denso, truncado, como já vimos na sua obra anterior, chamada Polióptico (veja o texto que escrevi sobre ele*). No “canteiro de obras”, vários elementos da sua obra anterior se repetem, mas dessa vez sob um tema diferente: o da construção poética em analogia com a construção civil. Vale citar, em primeiro lugar, o comprometimento com a concretude, substantivos e verbos, quase sem adjetivos. Em segundo lugar, de novo se faz presente um livro de poemas como um projeto de investigação. Cada um dos poemas mereceria uma análise detalhada. Eu, portanto, me limito a rabiscar alguns aspectos gerais da obra. O livro é essencialmente um metapoema, que se orienta de maneira sistemática e possui alguns termos que são caracte...

CRÔNICA: O FUTEBOL versus A ATARAXIA

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Acabo de receber Futebol e mais nada , reunião de poemas de Thereza Rocque da Motta que gravitam em torno de uma das mais intrincadas questões com as quais o humano deparou: o futebol . É proposital o erro que cometo aqui: desculpar as próprias faltas ao torná-las questões universais, quando, na verdade, são fruto do singular acaso de mim mesmo — ser desengonçado, não ter nunca feito um gol, não saber o que é um impedimento. Essa falta (na base da qual nasce o desprezo pelo futebol), Thereza a superou, o que lhe permitiu evidenciar que é possível fazer da privação um motivo de produção poética. Mas o preenchimento de uma privação também pode ter consequências talvez (para os fracos) indesejáveis, se Drummond estava certo quanto à natureza dessa privação: "Bem-aventurados os que não entendem/ Nem aspiram a entender de futebol,/ pois deles é o reino da tranquilidade". Não produzo esta boa poesia sobre a arte dos pés (que Drummond, João Cabral, Roberto Bicelli e Thereza já pro...

AO LONGO DO RIO: JOÃO CABRAL E TRÊS POEMAS DO CAPIBARIBE, de Alexandre Koji Shiguehara

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O poeta João Cabral de Melo Neto (que daqui a poucos dias completará cem anos) define, em um ensaio intitulado "Da função moderna da poesia", duas vertentes ou duas águas através das quais escreve: por um lado, uma vertente "participante", por outro, uma vertente da "investigação formal". Ambas as águas, escreve Alexandre Shiguehara, "são duas formas de conceber a comunicabilidade da po esia". Nisso o poeta se punha em posição quase oposta à da poesia moderna, que, ao exacerbar o vetor da 'expressão', teria negligenciado, do ponto de vista do poeta pernambucano, a contraparte indispensável da 'comunicação'. A questão que se coloca é como essas vertentes determinam a poesia de João Cabral. Em que essa poesia participante contribui, por exemplo, com a poesia da investigação formal (a "poesia-poesia", na expressão de Haroldo de Campos) e como uma se relaciona com a outra. Parece-me que é esse o problema que Alexandre...

Polióptico: crítica de Felipe Lopes

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Polióptico Felipe Lopes          Alguns poemas são como perfume, um deleite, um enfeite, um adorno. Outros são como música, com tempo marcado, a forma regular. Mas nenhum destes encontramos no Polióptico de Eliakim Ferreira Oliveira. Estes poemas não podem ser lidos sem dificuldade, como se o caminho da leitura estivesse cheio de pedras. As pedras do poema são o impedimento do seguir suave. Nelas se vê a exigência de que, a cada momento, quase a cada palavra, deva-se parar, refletir, olhar onde pisa. De vez em quando se encontra uma rima, um ritmo, mas se dá de forma tão espontânea como uma flor colorida na natureza ainda não modificada pelo humano.             O estilo é comprometido com a concretude. As palavras usadas são os substantivos concretos: o olho, o osso, os óculos, o coração. Os adjetivos, quando aparecem, têm uma função apenas subsidiária. A matéria do poema é o fato, o bruto, o mi...

SE NÃO É AGUDA, É CRÔNICA

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O primeiro livro de Fernando Sabino era um livrinho de contos intitulado Os grilos não cantam mais . Fernando tinha apenas 19 anos, e já prometia ser o grande escritor que foi. Isso Mario de Andrade confirmou em cartas. Parte da crítica, no entanto, questionou se, em vez de contos, aquela compilação não seria de crônicas. Mario, muito astuto, respondeu: "Conto é o que o autor chama de conto". Ele destacava, assim, que os limites entre uma crônica e um  conto são tão tênues que não há um critério que não seja exterior ao texto.             Costumo pensar que a crônica mistura a ficção com a realidade: o leitor nunca sabe o que é real ali. Por isso, em geral as crônicas são publicadas em jornais. É claro que a minha definição pode parecer insuficiente: por que um conto não poderia também misturar a ficção com a realidade? É que a crônica assume isso, desde o início. O real e a ficção são enigmas. O conto não necessariamente a...

TUDO É FICÇÃO (a propósito de uma conversa entre Borges e Susan Sontag)

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Borges diz que o mundo inteiro é ficção. Até a filosofia é ficção, ele destaca. Li O livro de areia , que ele cita. Num dos contos, Borges, numa praça da Inglaterra, se não me falha a memória, encontra-se consigo mesmo jovem numa praça de Buenos Aires. Note bem: o velho Borges numa praça na Inglaterra encontra-se com o jovem Borges numa praça em Buenos Aires. E ambos eram Borges! Era uma personagem, mas também era Borges, o  autor, que se põe como protagonista de sua ficção. Há ali a sobreposição de tempos e espaços. A memória de Borges talvez seja a causa dessa sobreposição: dentro de nós, convivem resquícios de nós mesmos, que fazem com que, numa mesma narrativa, seja possível que um mesmo seja mais de um, e que, mesmo estando aqui e agora, esteja alhures e algures. Penso que é nesse sentido, talvez, que Borges diga que tudo é ficção: o que nós somos sem essas narrativas que inventamos de nós mesmos? E que, se outro contasse, seria outra. Lembro de um conto de Ficções . O "Pie...

Crítica: A POESIA DO CIRCUNSTANCIAL E O VERSO DE CIRCUNSTÂNCIA

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Certa vez eu disse que o poeta Roberto Bicelli, em seu Antes que eu me esqueça , eleva o circunstancial ao eterno, numa espécie de ''close'' ou congelamento de cenas. Faz um recorte da realidade ordinária, aparta-o da totalidade, faz com que a vejamos pelo microscópio da poesia, trazendo a lume uma dimensão que está além da ordem em que o pedaço de realidade se insere. Isso redunda, muita frequentemente, numa po esia sintética (destacando, talvez, o caráter essencial da poesia: a síntese). No entanto, fazer poesia do circunstancial não quer dizer fazer "verso de circunstância". Que vem a ser o verso de circunstância? O verso de circunstância é essencialmente circunstancial. Não é que ele congele a circunstância. É o contrário: a circunstância em que ele foi feito é que o congela. Isso não quer dizer que ele não tenha valor estético. Bem pode ter enorme valor estético, que em geral não diz respeito a seu conteúdo imediato, mas à maneira como se insere na circ...

Crítica: A ÚLTIMA EDIÇÃO DO 'ANTES QUE EU ME ESQUEÇA', DE ROBERTO BICELLI (I)

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            Ele me disse ao telefone que uma moça qualificara sua poesia como filosófica. Eu lhe disse que, a meu ver, a qualificação não apreende o sentido de sua poesia, e que eu poderia falar sobre isso com ele depois. Falo agora. Começo aqui a pensar alto, embora essa discussão vá longe. Não ser filosófica é uma virtude. Em geral, dizem que a poesia de Drummond é filosófica. Claro Enigma , Lições de coisas : Drummond constantemente se demor a em questões que ecoam a história da filosofia. Não, Drummond não faz filosofia, em absoluto, como nenhum poeta faz. Uma coisa é o poetar, outra, o filosofar. No entanto, muita vez parece que o que leva ao poetar é uma inquietude aparentada com aquela que leva ao filosofar (isso já dizia Aristóteles). Lembro de Drummond em poemas como "A Luis Maurício, Infante" e "Especulações em torno da palavra homem" (eu poderia citar muitos outros). O poeta se pergunta pela generalidade de certas coi...