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Capa de 'Uma história natural e cabralina: a dialética do vivente na poesia de João Cabral de Melo Neto', próximo livro de Eliakim Ferreira Oliveira, em pré-venda

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Capa de Uma história natural e cabralina: a dialética do vivente na poesia de João Cabral de Melo Neto , próximo livro de Eliakim Ferreira Oliveira, em pré-venda (R$ 35,00). Entrar em contato com o autor através do e-mail eliakim.oliveiras@gmail.com.  Uma leitura da poesia de João Cabral à luz da filosofia da natureza de Schelling. 

A HISTÓRIA DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA COMO DISCIPLINA FILOSÓFICA: UMA RESENHA À NOVA TRADUÇÃO DE 'O DESENVOLVIMENTO MODERNO DA FILOSOFIA DA CIÊNCIA (1890-2000)', DE CARLOS ULISES MOULINES

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  Texto originalmente publicado na Revista Páginas de Filosofia , v. 9, n. 2, p. 221-229, jul.-dez., 2020.  No segundo semestre de 2020, Cláudio Abreu trouxe ao público filosófico de língua portuguesa uma tradução de O desenvolvimento moderno da filosofia da ciência (1890-2000) (Associação Filosófica Scientiae Studia), do renomado filósofo venezuelano Carlos Ulises Moulines, conhecido por seus trabalhos em torno da reconstrução de teorias segundo a chamada "metateoria estruturalista". Moulines nasceu em Caracas, em 1946. Formou-se em filosofia pela Universidade de Barcelona em 1971 e doutorou-se em 1975, sob a orientação de Wolfgang Stegmüller, o qual substituiu, em 1993, como diretor do Instituto de Filosofia, Lógica e Teoria da Ciência da Universidade de Munique, cargo que ocupou até 2012, ano de sua aposentadoria. Em sua produção intelectual, destacam-se as Exploraciones metacientíficas (1982), livro bastante influenciado pelas contribuições de Suppes, Sneed, Stemüller e...

Ensaio: O QUE É FILOSOFIA

De novo me perguntam e vacilo em responder à questão. Como dizer o que é filosofia sem o uso da tópica, do jargão? Não posso dizer ao tio, mestre de obras, que filosofia é a ciência do ser enquanto ser, que é conhecimento racional por meio de conceitos, ou ciência da ciência em geral, ou matemática universal, produção de conceitos. Para ele, produzir é tornar visível, o mais visível possível, fazer da coisa, parte a parte, um todo, cuja grandeza é medida em  andares... Para ele (apesar do Deus invisível), o mundo é bastante sólido. Aliás, não seria ele o responsável pela artefatura do mundo? Em redor (vocês veem) paredes, muros, prédios, todos erguidos por ele (isso é produzir). Eu, que sou também materialista, até ousaria dizer, num repente de generalização: ele é quem construiu o mundo. Mas, e eu — com a modesta filosofia? Que faço? Como explicar o conceito ao homem do concreto? Como convencê-lo (como Paulo) a crer nas coisas invisíveis?       ...

OS SUSSURROS DE RUY FAUSTO: a propósito da morte do filósofo

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O relato não é apenas meu. Era comum ver o professor Ruy Fausto murmurando pelos corredores. Mesmo quando ia estudar na biblioteca, punha-se a ler Marx aos sussurros, como se, de pronto, ao texto respondesse — assim nos exigem em filosofia: ler o texto em guarda, para perguntar-se pelo sentido de quase tudo que no texto aparece. Ruy Fausto parecia levar o adágio a ferro e fogo, e, como monge medieval (baixo, curvado, penitente), orava em cima do li vro e repetia, para si mesmo, à biblioteca e aos corredores, aquelas orações. Exagero, claro. Mas é que assim a coisa me parecia. Não era oração, evidente, sobretudo pelo texto ser, em primeiro lugar, filosófico, em segundo lugar, de Marx. Talvez era esse o sinal ético da profundidade de pensamento, que logo é percebida nas primeiras páginas de Marx: lógica e política , que li de maneira selvagem e aos trancos, para uma entrevista da qual, no fim, não participei.             É int...

Crônica: EU!

De novo, me ponho a incomodar papai. Desde que eu falei a ele que a filosofia é a ciência da ciência em geral, ele gosta de ficar repetindo isso a torto e direito. Me irrito quando vejo alguém com muita certeza. Daí resolvo iniciar uma disputa:             — Pai, você concorda que toda ciência tem um princípio?             — Concordo.             — E que, se a filosofia é a ciência da ciência em geral, ela é responsável por dar princípio às ciências?             — Concordo.             — Mas ela é uma ciência, não?             — É.             — Logo, segundo o que assumimos, tem de ter um princípio,...

A DIALÉTICA D'A CÂMARA CLARA

            Meu pai está sentado ao computador. Resolvo incomodá-lo:             — O que diferencia essas fotos do computador de uma foto em instantâneo? O que diferencia essas fotos do seu feed da foto mesma, na hora em que a pessoa tirou?             Ele pensa um pouco.             — Essas praticamente são "cópias" daquelas fotos, não? — ele me pergunta.             — É verdade. Mas são todas imagens, não são?             — São — ele responde.             — Então o que diferencia a imagem fotográfica das outras imagens?             — A...