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AO LONGO DO RIO: JOÃO CABRAL E TRÊS POEMAS DO CAPIBARIBE, de Alexandre Koji Shiguehara

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O poeta João Cabral de Melo Neto (que daqui a poucos dias completará cem anos) define, em um ensaio intitulado "Da função moderna da poesia", duas vertentes ou duas águas através das quais escreve: por um lado, uma vertente "participante", por outro, uma vertente da "investigação formal". Ambas as águas, escreve Alexandre Shiguehara, "são duas formas de conceber a comunicabilidade da po esia". Nisso o poeta se punha em posição quase oposta à da poesia moderna, que, ao exacerbar o vetor da 'expressão', teria negligenciado, do ponto de vista do poeta pernambucano, a contraparte indispensável da 'comunicação'. A questão que se coloca é como essas vertentes determinam a poesia de João Cabral. Em que essa poesia participante contribui, por exemplo, com a poesia da investigação formal (a "poesia-poesia", na expressão de Haroldo de Campos) e como uma se relaciona com a outra. Parece-me que é esse o problema que Alexandre...

Polióptico: crítica de Felipe Lopes

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Polióptico Felipe Lopes          Alguns poemas são como perfume, um deleite, um enfeite, um adorno. Outros são como música, com tempo marcado, a forma regular. Mas nenhum destes encontramos no Polióptico de Eliakim Ferreira Oliveira. Estes poemas não podem ser lidos sem dificuldade, como se o caminho da leitura estivesse cheio de pedras. As pedras do poema são o impedimento do seguir suave. Nelas se vê a exigência de que, a cada momento, quase a cada palavra, deva-se parar, refletir, olhar onde pisa. De vez em quando se encontra uma rima, um ritmo, mas se dá de forma tão espontânea como uma flor colorida na natureza ainda não modificada pelo humano.             O estilo é comprometido com a concretude. As palavras usadas são os substantivos concretos: o olho, o osso, os óculos, o coração. Os adjetivos, quando aparecem, têm uma função apenas subsidiária. A matéria do poema é o fato, o bruto, o mi...

Polióptico: o ver e o visto

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No dia 15 de outubro de 2019, a Editora Córrego lançou na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37), dentre outros livros, o Polióptico : livro de poesia "concebido e realizado a partir de um projeto ", escreveu Alexandre Shiguehara, poeta, crítico, autor de Ao longo do rio: João Cabral e três poemas do Capibaribe (Hedra, 2010); projeto que, como escreveu o filósofo Gabriel Frizzarin, é feito através de lentes , no sentido mais concreto da expressão.  Polióptico  é um livro sobre a evidência de que o mundo é visto , e a poesia, por princípio (assim o livro assume),  dá a vê-lo . O livro pode ser obtido no site da Editora Córrego, através do seguinte link :  https://www.editoracorrego.com.br/produto/210837/polioptico-de-eliakim-ferreira-oliveira

Comentário: LEMBRA A 'VIDA COMO ELA É'

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        Ontem, uma moça, comentando o conto Boa noite, minha velha , disse que lembrava A vida como ela é , de Nelson Rodrigues. Embora não seja uma forte influência no que escrevo (pelo menos não uma influência consciente), me senti lisonjeado com a comparação. A primeira vez que li Nelson Rodrigues foi em 2013, sob a tutela do meu guia espiritual Bernardo Fonseca Machado (ator, diretor de teatro, antropólogo pela USP): um projeto de direção da peça Vestido de Noiva . Também vi recentemente uma entrevista de Marçal Aquino em que ele destacava a autenticidade dos diálogos de Nelson, incluindo-o no rol dos grandes dialoguistas do Brasil. Nelson dizia que o problema do escritor brasileiro "é não tomar cafezinho". Por isso escreve mal os diálogos: não ouve o povo conversando.             Esse concurso de acontecimentos em torno de Nelson é claro sinal de que tenho que voltar a lê-lo. São Paulo, 23-2-2019 ...