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Sumário de 'Canteiro de obras' (Ed. Versos em Cantos), de Eliakim Ferreira Oliveira. Disponível para venda

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Para comprar o livro, envie um e-mail a eliakim.oliveiras@gmail.com.

Lançamento de 'Canteiro de obras', de Eliakim Ferreira Oliveira, em dezembro

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Capa de Canteiro de obras, logo disponível para a venda

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Publicação de 'Canteiro de obras' (Ed. Versos em Cantos), de Eliakim Ferreira Oliveira

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 Anunciamos a futura publicação de Canteiro de obras , segundo livro de Eliakim Ferreira Oliveira, autor de Polióptico  (Ed. Córrego). Aguardem para mais informações sobre o dia do lançamento. Sobre Canteiro de obras : Uma poesia construída no mesmo passo de um edifício, a ponto de, em busca das coisas de que fala, perseguir uma não poesia. Resulta disso um livro erguido sobre uma pretensão contraditória.   

CRÔNICA: O FUTEBOL versus A ATARAXIA

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Acabo de receber Futebol e mais nada , reunião de poemas de Thereza Rocque da Motta que gravitam em torno de uma das mais intrincadas questões com as quais o humano deparou: o futebol . É proposital o erro que cometo aqui: desculpar as próprias faltas ao torná-las questões universais, quando, na verdade, são fruto do singular acaso de mim mesmo — ser desengonçado, não ter nunca feito um gol, não saber o que é um impedimento. Essa falta (na base da qual nasce o desprezo pelo futebol), Thereza a superou, o que lhe permitiu evidenciar que é possível fazer da privação um motivo de produção poética. Mas o preenchimento de uma privação também pode ter consequências talvez (para os fracos) indesejáveis, se Drummond estava certo quanto à natureza dessa privação: "Bem-aventurados os que não entendem/ Nem aspiram a entender de futebol,/ pois deles é o reino da tranquilidade". Não produzo esta boa poesia sobre a arte dos pés (que Drummond, João Cabral, Roberto Bicelli e Thereza já pro...

CRÔNICA - O NARIZ

Quando ela me disse que a outra era assim e assado, perguntei, e isso já é hábito, como era o nariz dela. Ao que ela notou meu interesse desmedido pelo nariz dos outros, sobretudo o nariz delas. Falei que a coisa assim se passava desde que eu tinha sonhado que ia beijar a mulher mais linda do mundo, mas que o nariz dela começou a testar força com o meu, de modo que não se encaixavam, e meu nariz empurrava o dela e o dela o meu. Beijo nenhum, só testilha de nariz. Mas não era exatamente por isso. Lembrei então que, na verdade, era porque havia uma moça que, quando falava, o nariz mexia, como se datilografasse o que ela dizia. Era linda. Então, fiquei buscando outros narizes assim, cuja ponta mexe quando a pessoa fala. Mas também porque, no rosto, sempre falam dos olhos, que quase nunca mudam, mas que, justamente por isso, me interessam pouco. Quero aproveitar a época de ouro desse órgão tão delicado, que, daqui a trinta anos, estará maior, torto e enrugado. O nariz é também um centro ...

CRÔNICA - Dar de comer aos bichos

            As codornas ficavam num canto do quintal, entre duas paredes. Uma gaiolinha quadrada. Ali se encolhiam uma sobre a outra, sempre muito quietinhas, vez ou outra é que faziam algum barulho. O som da codorna é muito discreto. É difícil descrevê-lo. Não é escandaloso como o cacarejar das galinhas ou o grasnar dos patos. Aliás, é bom lembrar que as codornas não cacarejam nem grasnam. As codornas trilham ou piam. O trilhar é como um sininho, som agudo, leve.               Davam muito ovo. Era impressionante. Mais ovo que as galinhas. Certa vez, decidi fritar em vez de cozinhar. Um ovinho frito, um miniovo, uma beleza. As galinhas, se me lembro bem, davam pouco ovo. Na verdade, confesso que não me lembro de nenhum ovo de galinha. Acho que criávamos mal aqueles galináceos. Talvez não lhes déssemos ração suficiente, talvez as tirássemos do sério. Galinha mal humora...