INVESTIGAÇÕES DO OLHAR [...] nunca me vi ultrapassar os limites da luz natural nem muito menos os da metafísica. Francisco Suárez, Disputações metafísicas Aqui não se investiga à luz de lupa, como quem sai em busca de um pelo de urtiga ou do olho de um inseto. Se se mune de pedaço de vidro, não é para ver de que é feita a coisa, mas como é a coisa fora do ver. Explico: num piscar de olhos, como que fica à vista um vestígio, como uma sola suja de terra, marca pela qual se nota, num gesto semafórico, o pisão que se deu. Pode o olho seguir a pista, perseguir o rasto, correr até o risco de gravar um rosto. Pois que feche um olho, mesmo que reste, em algum lugar, talvez no cristalino, aquele pouco de luz, um vestígio que só se vê piscando. Pois fica assim, a esmo, seguindo a própria pista: o rosto do assassino no olho de uma vítima. Para investigar assim, só se fazendo as investigações do ol...